Festival Brasil Nordeste celebra a força da Economia Popular e Solidária com diversidade, cultura e compromisso com o futuro

Evento foi palco do lançamento da construção do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica com foco na Caatinga

cristian

Assessoria de Comunicação

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Festival Brasil Nordeste celebra a força da Economia Popular e Solidária com diversidade, cultura e compromisso com o futuro

De 7 a 11 de maio, o Centro de Convenções de Salvador foi cenário de um verdadeiro encontro de saberes, cores, sabores e resistências com a primeira edição do Brasil Nordeste – Festival de Economia Popular e Solidária, que reuniu cerca de 400 expositores dos nove estados da região, num grande mosaico de iniciativas construídas com base na cooperação, inclusão e valorização da cultura local.  

Durante cinco dias de programação intensa e diversa, mais de 30 mil pessoas visitaram o festival e puderam circular por uma feira vibrante, que misturou sabores regionais, manifestações populares, inovações comunitárias, artesanatos e produtos da agricultura familiar, dos povos originários e de comunidades quilombolas, shows, debates e oficinas. 

O evento, promovido pelo Consórcio Nordeste, em parceria com o Governo do Estado da Bahia, marcou também o início da construção do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, um compromisso dos nove estados nordestinos com o futuro verde, justo e sustentável. Com foco na Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro e que ocupa quase 70% do território nordestino, o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica será apresentado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a COP 30, que acontece em novembro, em Belém (PA). 

“Neste momento em que o mundo busca caminhos para um desenvolvimento sustentável, nós começamos a construir o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica a partir da troca de experiências e saberes de comunidades e grupos sociais que já vivenciam o desenvolver com base na coletividade, no cuidado com o território e no fortalecimento dos laços comunitários”, destaca o secretário executivo substituto do Consórcio Nordeste, Glauber Piva. 

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, esteve na abertura do Festival Brasil Nordeste, juntamente com o atual secretário nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho, Gilberto Carvalho. “Essa é uma grande iniciativa, um reencontro onde teremos a oportunidade de dialogar, conversar, fazer formação, divulgar e criar um ambiente cada vez mais forte para a economia popular e solidária”, afirmou o governador durante a cerimônia de abertura. O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, também esteve no evento e destacou a importância do Festival que tem representações dos nove estados nordestinos e está discutindo a elaboração do Plano Brasil Nordeste da Transformação Ecológica. 

O superintendente de Economia Solidária do Estado da Bahia e coordenador adjunto do comitê de Economia Solidária do Consórcio Nordeste, Wenceslau Júnior, celebrou o sucesso da primeira edição do festival. “Estamos finalizando o evento que foi um sucesso em todos os aspectos. Mais de 30 mil passaram por aqui, um número muito expressivo e que mostra o quanto esse espaço se integrou bem com o público. Houve muito networking entre os empreendedores, com os visitantes e nos painéis de debates. Na parte cultural, foi uma verdadeira celebração da diversidade e da riqueza da cultura nordestina”. 

Diversidade de produtos e modos de fazer 

Os visitantes do festival puderam conhecer as diversificadas produções artesanais e experimentar os muitos sabores da tradicional culinária de toda a região Nordeste e os expositores tiveram a oportunidade de trocar experiências e aprimorar seus fazeres. 

“A experiência de estar aqui foi maravilhosa, porque a gente encontra com outras pessoas, de outros estados, troca ideias e de cultura e, aqui, a Bahia é sempre assim, recebe a gente com os braços abertos”, avaliou a agricultora familiar cooperada de Alagoas, Crisiane de Araújo e Tomás, que trouxe para o festival a produção de pães da roça, pão de macaxeira, de abóbora, de inhame, de batata doce roxa, e geleias de abacaxi com pimenta, de manga com maracujá, entre outros produtos.

“Os artesãos puderam dialogar e aperfeiçoar mais o seu trabalho inspirado no trabalho do colega, então foi muito bacana essa troca de experiência. Por isso, acredito que aqui foi o pontapé inicial e que o festival deve acontecer em outros territórios, em outros estados”, avaliou Maria Ilsa, que coordena o Fórum Estadual de Economia Popular no sertão da Paraíba e trouxe uma variedade de artesanatos para a feira. 

Expressões culturais 

O Festival foi regado a muita música boa e diversão. Todos os dias de festival tiveram apresentações de manifestações culturais em diversos momentos do dia, como o Tambor de Crioula (MA),Coral de Vaqueiros (PI), Samba de Parêa da Mussuca (SE), Coco de Roda Babaçu (AL), Filhos de Gandhy, Folclórico Capoeira em Movimento Bahia, Rixô Elétrico, Quadrilha Junina Buscapé e Canela Fina (BA). 

Todas as noites ocorreram shows gratuitos de artistas nordestinos, que se revezaram no palco do Festival Brasil Nordeste para reverenciar a cultura nordestina. Passaram pelo evento Chico César (PB), Otto (PE), Juliana Linhares (RN), Ivison Santos e Arthur Lorenzo (PB), Priscila Carvalho (MA), Pedro Pondé, Laiô, Del Feliz, Yayá Massemba e Clariana (BA). 

Os visitantes também puderam acompanhar shows de cozinha identitária, nos quais conheceram como cozinhar pratos únicos com especiarias do Nordeste, com a culinarista Rose da Silva (BA), Chef Jônatas Bonfim e Chef Julia Vieira. 

Debates e rodas de conversa 

A primeira edição do Festival Brasil Nordeste foi espaço pulsante de trocas e reflexões sobre os múltiplos caminhos para um desenvolvimento regional que integre justiça social, sustentabilidade e valorização das identidades nordestinas.  

Nos diversos painéis de debate, rodas de conversa e oficinas de formação, participaram representantes de entidades da economia solidária, da sociedade civil organizada, de cooperativas, dos governos federal, estaduais e municipais, e de entidades financeiras. 

Estiveram no centro das discussões, a articulação entre ciência, tecnologia e saberes populares, o papel das incubadoras e das mídias digitais, bem como o protagonismo das festas e expressões culturais como fontes de renda e pertencimento. 

Foram discutidos, ainda, os desafios e potencialidades do turismo comunitário, das finanças solidárias e da agricultura familiar como instrumentos de inclusão produtiva e fortalecimento territorial; as experiências de enfrentamento às desigualdades por meio da atuação de mulheres e populações negras e originárias na construção de uma economia pautada pela solidariedade e pela resistência ancestral.  

As discussões apontaram para um modelo de desenvolvimento que respeita o bioma da Caatinga e reafirma a viabilidade de um Nordeste transformador e comprometido com o bem viver. 

O Festival Brasil Nordeste de Economia Popular e Solidária foi promovido pelo Consórcio Nordeste em parceria com o Governo do Estado da Bahia, por meio das secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e do Desenvolvimento Econômico (SDE), e com o Ministério do Empreendedorismo e da Empresa de Pequeno Porte, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e Ministério da Cultura do Governo Federal. Teve apoios do Instituto Federal da Bahia (IFBA), do Centro Público de Economia Solidária da Bahia (CESOL). Foi produzido pela MK Produções e tem como correalizadores Caderno 2 Produções, Polo Cultural, Associação de Assistência à Produção e ao Desenvolvimento Sustentável (AAPDS), Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e Open Society Foundations (OSF), com Patrocínios de Shopee, Sebrae, Fundação Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa, e Bahiagás, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.  

A primeira edição do Festival Brasil Nordeste de Economia Popular e Solidária encerra com a certeza de que o trabalho coletivo, ancorado nos saberes populares e no pertencimento comunitário, não é alternativa, é futuro. E o Nordeste está mostrando como se faz. 

 

CRÉDITO DAS FOTOS: Janaylson Dias