Nesta quarta-feira, 4 de dezembro, o Consórcio Nordeste participou do evento “Fundo Caatinga: uma iniciativa de financeirização verde para o único bioma exclusivamente brasileiro”, durante a 16ª Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas – COP 16, em Riad, na Arábia Saudita.
O encontro discutiu como o setor financeiro pode ser engajado para promover a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico no semiárido, sem comprometer a sustentabilidade ecológica da região. Na mesa de palestrantes estavam o secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas; o subsecretário do Consórcio Nordeste Pedro Lima; a secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Edel Nazaré Santiago; e o economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eduardo Kaplan.
O Consórcio Nordeste defende a criação e implementação do Fundo Caatinga e seu subsecretário Pedro Lima destacou no evento a importância de posicionar a Caatinga como uma alternativa eficaz para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. “Precisamos proteger a Caatinga para que ela atue como consumidora de carbono. É fundamental atuarmos para recuperar as áreas degradadas e combater a desertificação, dessa forma, enfrentamos as mudanças climáticas e protegemos a biodiversidade local”, afirmou Lima.
Eduardo Kaplan, chefe de Departamento de Estratégia Social e Territorial do BNDES, enfatizou a necessidade de investimentos não reembolsáveis para transformar os modelos produtivos no bioma. “Os modelos produtivos que distanciam da agricultura familiar clássica são modelos que levaram e levam à degradação da caatinga. Precisamos ter uma agricultura mais sustentável e generativa inclusive nas propriedades maiores. Para isso é necessário que um capital catalisador assuma o custo dessa mudança, senão o capital normal vai focar sempre no lucro imediato. Esse é o papel essencial do Fundo Caatinga: atuar como esse capital catalisador”, explicou Kaplan.
O secretário executivo do Consórcio, Carlos Gabas, ressaltou o papel do Consórcio na mobilização em torno da proposta e da importância de estudar o capital genético do bioma. ” Nosso objetivo é criar soluções que transformem a vida das pessoas e essa iniciativa nasce das práticas de recuperação já realizadas pelo povo da caatinga. Além de toda importância da caatinga para o sustento da região e para contribuir no enfrentamento das mudanças climáticas, o bioma tem muito a oferecer com seu potencial para a bioeconomia”, afirmou Gabas.
Edel Nazaré Santiago, secretária nacional do MMA, destacou o compromisso do governo federal. “A ministra Marina Silva já demonstrou apoio ao Fundo Caatinga. Essa conquista reflete a persistência do Consórcio Nordeste e reforça a importância de incluir as populações tradicionais nesse processo”, declarou.
A COP 16 está debatendo propostas para combater a desertificação no mundo. O painel de hoje abordou a criação de instrumentos financeiros sustentáveis, como fundos socioambientais, títulos verdes e mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A proposta visa mobilizar recursos para conservação, manejo sustentável e geração de empregos verdes, fortalecendo a economia local e protegendo os direitos das comunidades.
O Fundo Caatinga, iniciativa do Consórcio Nordeste, representa uma oportunidade única de aliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, promovendo a integração entre os setores público, privado e as comunidades locais.