O edital da Chamada Nordeste, que disponibiliza R$ 10 bilhões para investimentos produtivos na região. Para apresentar as oportunidades abertas pela Chamada e aprofundar o debate sobre os caminhos para facilitar o acesso de cooperativas e empreendimentos da economia solidária ao crédito oferecido pelos bancos federais de fomento, o Consorcio Nordeste realizou nesta quarta-feira (27), em Salvador, na Bahia, um encontro formativo que reuniu representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, da Unisol e da Encuba, representando as encubadoras e empreendimentos da economia solidária de diversos estados da região.
O secretário de Equidade e Desenvolvimento Social do Consórcio Nordeste, Túlio Florence, destacou a importância do evento como um marco inicial para o diálogo sobre a economia solidária e as oportunidades de financiamento. “É só o começo do diálogo que nós estamos travando com o BNDES. Vamos estruturar esse canal de construção política, de construção institucional com os diversos bancos de fomento, com a Finep para ter esse processo de sinergia e poder ter financiamento do cooperativismo, da agricultura familiar, da economia solidária”, pontuou. Segundo ele, o objetivo é que o setor se aproprie das linhas de crédito disponíveis para impulsionar o desenvolvimento sustentável na região.
O evento híbrido, realizado no Instituto Anísio Teixeira, contou com a participação de Anne Sena, presidenta da Unisol – Central de Cooperativas e Empreendimentos da Economia Solidária; Gisleide Carneiro, da Comissão Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES); os assessores da diretoria do BNDES Caio Cavalcante Ramos e Dannyel Lopes de Assis; Jairo Santos da Rede de Gestores e assessor da Setre-BA.

Cooperativas na Chamada Nordeste
Em sua apresentação, o assessor do BNDES Caio Ramos ressaltou que existe um entendimento no Governo Federal de que é preciso diminuir a desigualdade regional no país e para isso é necessário enfrentar o subfinanciamento a que a Região Nordeste foi historicamente submetida. Caio explicou que a Chamada Nordeste é um passo nesse sentido e que ela inova também ao atender as cooperativas.
Ele também falou que existe um caminho a percorrer para que os bancos de fomento passem a conceder mais crédito às cooperativas e que o BNDES está disposto a auxiliar nessa reivindicação. “Cada vez mais a gente está abrindo as portas, mas às vezes a porta não é só uma norma. É preciso fazer com que de fato os bancos lá na ponta sensibilizem e comecem a conceder crédito para as cooperativas. Eu não tenho dúvida que, quando começar a conceder, como a adimplência é boa e o resultado é positivo, não vou nunca mais querer deixar de fazer. Mas parece que a primeira parte é a mais difícil, operar pela primeira vez. Vamos tentar ajudar nesse processo”, afirmou Caio.
Sobre a participação no edital da Chamada Nordeste, ele explicou aos participantes que não é um processo complexo e apontou alguns eixos do edital que dialogam com as cooperativas, como os de energia renovável, bioeconomia com fármacos e indústria automotiva e agrícola.
“A Chamada é como se fosse preencher alguns formulários, onde você explica quem você é, o que você faz, como você faz. Neste primeiro momento, é isso. É apresentar o seu plano, não o projeto finalizado. Você preenche os formulários e faz um vídeo. Fazendo isso, todos os bancos que participam da Chamada vão ter que olhar para sua proposta”, falou Caio Ramos.
Desafios para o acesso ao crédito
Durante o debate, os participantes do evento levantaram diversas questões relacionadas às dificuldades que as pequenas e médias cooperativas e empreendimentos enfrentam para conseguir ter acesso às linhas de crédito e aos editais publicados pelos bancos de fomento. A discussão girou entorno da necessidade de se criar mecanismos para superar essa realidade.
Gisleide Carneiro, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária destacou a atuação concreta do BNDES no fomento à economia solidária e propôs a criação de um grupo de trabalho coordenado pelo Consórcio Nordeste para debater a construção de políticas públicas que fortaleçam o setor. “Acho que saímos daqui hoje com o compromisso de formar um grupo de trabalho dentro do Consórcio Nordeste para tratar da pauta da economia solidária e pensar como os próximos editais podem contemplar esse segmento”, afirmou, destacando a importância da parceria entre a Unisol, o FBES e o BNDES para o avanço de novas iniciativas.
Fortalecimento da parceria com BNDES
Para o representante da Setre-BA, Jairo Santos, “ter o banco mais presente nesses fóruns onde a gente pode dialogar, é importante para ampliar as possibilidades de a gente compreender como é que funciona a economia do país, a economia que o governo cria através dos seus bancos para possibilitar que a gente cada vez mais possa fazer as cooperativas, associações, grupos, empreendedores, empreendimentos, acessar esse recurso.”
Ao encerrar sua participação, Dannyel Lopes de Assis, assessor do BNDES, que apresentou aos participantes alguns editais promovidos pelo banco, como o de circularidade e o de bioinsumos, além das linhas de crédito com as menores taxas do banco e do Fundo Garantidor, ressaltou a importância de as comunidades se apropriarem dessas informações.
“A tarefa é se apropriar das informações, se preparar e ir para o enfrentamento. Hoje ainda pode não conseguir acessar todas, mas vai conseguir. E nossa equipe está aqui para dar todo o apoio”, afirmou Dannyel.
Por fim, a presidenta da Unisol, Anne Sena, ressaltou que o encontro representa a política pública chegando na base. “Quero agradecer ao BNDES e ao Consórcio Nordeste por trazer uma política pública efetiva para o movimento de economia solidária e cooperativismo solidário, que tem tanta necessidade e que, com certeza, usará essas oportunidades para pensar um modelo de desenvolvimento justo e solidário”, afirmou Anne.