O evento antecipa a celebração do Dia da Caatinga, em 28 de abril, e debate os desafios e políticas públicas para a promoção do desenvolvimento sustentável, na sede do Banco, em Recife
Nesta quinta-feira (25), foi realizado o seminário “Recaatingar: estratégias de proteção ambiental e inclusão produtiva”. A abertura do evento contou com a participação da presidenta do Consórcio Nordeste e governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e da diretora Socioambiental do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, que participaram por videoconferência, além do chefe de gabinete do Consórcio Nordeste, Glauber Piva, do coordenador da Câmara Temática do Meio Ambiente do Consórcio Nordeste e secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, e de Alexandre Pires, diretor de Combate à Desertificação e Povos Tradicionais so Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA).
“Nós vamos celebrar aqui, hoje, nesta reunião do Consórcio Nordeste com o BNDES, uma iniciativa muito importante que foi depois de um longo trabalho. Nessa última segunda-feira, dia 22 de abril, termos assinado um termo de cooperação entre o CNE e o MMA, ocasião que tivemos da ministra Marina [Silva] o aval para darmos início à criação do Fundo Caatinga. Essa é uma pauta considerada como prioridade no Consórcio Nordeste, nós vínhamos lutando por essa pauta, pela implementação deste fundo”, ressaltou Fátima Bezerra.
O diretor de Combate à Desertificação e Povos Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Alexandre Pires, participou da abertura representando a ministra Marina Silva e ressaltou a importância de programas que apresentem, auxiliem e incentivem os cuidados no combate à desertificação e vivência no semiárido brasileiro.
“Nós estamos em um movimento muito auspicioso da elaboração de um Plano Nacional de Combate à Desertificação. Depois de vinte anos da elaboração do primeiro Plano, estamos elaborando um Programa de Combate à Desertificação para ter um instrumento e acho que essas ações que estamos fazendo são também para estruturar instrumentos da política públicas, através de parcerias com governos dos estados em lançar uma campanha educativa que fale sobre as causas e consequências do combate à desertificação e estratégias de convivência com o semiárido”.
O encontro contou com duas mesas com o tema “Recaatingamento: soluções para preservação da biodiversidade, restauração ambiental e inclusão produtiva”. O Consórcio Nordeste e o BNDES debateram diagnósticos e propostas com o Ministério do Meio Ambiente, Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), Embrapa, ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro) e representantes de governos estaduais para identificar os caminhos de recuperação ambiental e combate à desertificação que estejam conciliadas com oportunidades de desenvolvimento econômico e melhoria na qualidade de vida das populações locais.
Durante a segunda mesa, a superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES, Ana Costa reforçou que: “Uma vez que se tem todo um aprendizado alí feito, exatamente por essa população que ali ficou, não é uma população nômade como a gente vê no resto do mundo em áreas secas. Estamos falando de uma população que criou tecnologias de poder viver ali e conviver com essa seca, a gente aprende com isso e as cisternas são o grande cartaz dessa grande possibilidade. É isso que a gente precisa realmente mostrar, esse potencial, essa capacidade de sobrevivência e como isso vai ser importante para o mundo”.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e o semiárido mais populoso e biodiverso do mundo, sendo lar para cerca de 27 milhões de habitantes. O Recaatingamento é um conjunto de ações para garantir a sustentabilidade do bioma, a conservação da biodiversidade, a saúde do solo, do clima e benefícios sociais.
A diretora do BNDES explica que essa combinação de riqueza genética e conhecimentos é também uma chave para que outros biomas se adaptem a cenários de aquecimento global e crescente estresse hídrico. “A Caatinga é o mais degradado dos biomas brasileiros, com mais de 80% de sua área alterada por uso humano, além de ter a menor área protegida por Unidades de Conservação, tornando assim premente o aprimoramento de políticas de desenvolvimento sustentável para o bioma”, afirmou Tereza Campello.
Na última segunda-feira(22), o MMA anúncio a aprovação da proposta de criação do Fundo Caatinga, apresentada pelo Consórcio Nordeste e BNDES, iniciativa que destinará recursos para a conservação do bioma. Possíveis formatos para o mecanismo serão avaliados em conjunto com outras organizações .
“Nós estamos fazendo história nesse exato momento porque dizer hoje para o Nordeste, para o Brasil, e para o mundo, que o bioma da Caatinga vai dispor de um Fundo específico que terá a finalidade de captar e buscar recursos para cuidar da preservação desse bioma é um marco que estamos realizando no ponto de vista da preservação ambiental”, ressaltou a presidenta do Consórcio Nordeste, Fátima Bezerra.
Também participaram das discussões a assessora de coordenação da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Maitê Maronhas; o pesquisador da Embrapa Semiárido, Diogo Porto; o Coordenador do Núcleo de Desertificação da Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga(OndaCBC), Aldrin M Perez Marin; o subsecretário de programas do Consórcio Nordeste, Pedro Lima; e a secretária de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, Ana Luiza Ferreira.