O Consórcio Nordeste reuniu, nesta terça-feira (24), secretários estaduais, especialistas e instituições parceiras para a realização de uma oficina que marca mais uma etapa na construção do Plano Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE). A iniciativa é articulada com o Plano Nacional de Transformação Ecológica do Governo Federal e visa territorializar as ações a partir da realidade dos estados nordestinos, com forte engajamento da sociedade civil, da academia e do setor produtivo.
A oficina promovida pelo Consórcio Nordeste integra uma série de atividades voltadas à construção coletiva do PTE-NE — plano que busca alavancar o potencial da região para liderar um novo modelo de desenvolvimento sustentável, inclusivo e inovador. A iniciativa tem como referência o Plano Nacional de Transformação Ecológica, lançado pelo Ministério da Fazenda, e dialoga com os pilares da Nova Indústria Brasil (NIB).

O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, destacou a importância do momento e o papel da região nesse processo de transição ecológica nacional:
“Nós queremos que o Nordeste aproveite esse potencial de geração de energia limpa e traga para a nossa região indústrias, empresas que gerem emprego de qualidade, que melhorem a qualidade de vida do nosso povo. Mais de 80% da energia eólica e solar do país é gerada aqui, e queremos que isso se reverta em inclusão social, renda e redução das desigualdades. É uma grande oportunidade para transformar a nossa região”, afirmou Gabas.

Representando o Ministério da Fazenda, a gerente de projetos da Secretaria Executiva da pasta, Carina Vitral, reforçou a proposta de pensar o futuro da economia nacional a partir da responsabilidade ambiental e do enfrentamento às desigualdades:
“O plano convida o Brasil a desenvolver um novo modelo que concilie responsabilidade ambiental, ganhos de produtividade e melhoria da qualidade de vida. O Nordeste tem papel central nesse processo. Queremos que os empregos, as indústrias e essa nova economia de baixo carbono estejam aqui, fazendo do Nordeste um polo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.”

Essa construção regionalizada do plano tem contado com a parceria da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), representada no Brasil por Rodrigo Rossi, que enfatizou o papel da entidade e o processo em andamento:
“Estamos reunindo secretários de Meio Ambiente, de Planejamento, de Governo, que estão conectados com essa iniciativa conjunta. Apresentamos as bases do plano em maio, em Salvador, e desde então seguimos em escutas com os estados. A proposta é consolidar diretrizes a serem apresentadas na COP 30, em novembro, com o Nordeste assumindo protagonismo estratégico.”

A visão dos estados também foi trazida à oficina. O secretário de Planejamento da Paraíba, Gilmar Martins, ressaltou o papel do PTE-NE como oportunidade de romper com a histórica concentração de investimentos em outras regiões do país:
“É um plano que olha para o Nordeste com atenção às nossas potencialidades econômicas, científicas e sociais, com respeito ao meio ambiente. Queremos mostrar ao país e ao mundo as oportunidades de investir em uma região que agora tem condições de viver um novo ciclo de desenvolvimento.”

Fechando o ciclo de parcerias, a presidente do Conselho de Administração do Banco do Nordeste, Sávia Gavazza, reforçou o engajamento da instituição financeira na promoção de soluções que aliam sustentabilidade, crédito e inclusão:
“O Banco do Nordeste participa dessa iniciativa junto ao Consórcio para pensar o Nordeste como unidade. Enxergar suas vulnerabilidades, como a desertificação ou eventos extremos, e transformar isso em oportunidade de permanência no território com desenvolvimento econômico, empreendedorismo e adensamento tecnológico.”
A oficina realizada marca mais um passo estratégico do Consórcio Nordeste rumo à consolidação do Plano Nordeste de Transformação Ecológica. O processo segue com oficinas territoriais e escutas setoriais nos estados, construindo um plano robusto, com foco na justiça climática, soberania regional, inovação, sustentabilidade e protagonismo popular. As diretrizes consolidadas serão apresentadas na COP 30, reforçando o compromisso da região com o futuro do planeta e com a construção de um modelo de desenvolvimento baseado na equidade, na inclusão e na economia verde.