Fortalecer a economia popular e solidária por meio de agentes que estarão nas localidades para promover a criação de novas cooperativas e associações e organizar as já existentes. Esse é o objetivo do Programa de Formação Paul Singer – Agentes de Economia Popular e Solidária que teve seu lançamento regional iniciado no dia 21 de julho, com atividades realizadas nas cidades de Salvador (BA) e Recife (PE), e segue para Fortaleza (CE), no dia 1º de agosto.
Fruto da parceria entre a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), do Ministério do Trabalho e Emprego, e a FUNDACENTRO, o Programa Paul Singer tem como foco formar agentes para atuar em seus territórios no diagnóstico e no fomento a empreendimentos de economia solidária, com base nos princípios de autogestão, cooperação, sustentabilidade e reconhecimento dos saberes populares e compromisso com a inclusão social.

Participantes do lançamento do Programa de Formação Paul Singer em Salvador, Bahia.
Nordeste potência
A economia popular e solidária tem presença expressiva no Nordeste, com empreendimentos em áreas como agricultura familiar, artesanato, confecção, alimentação e serviços. A organização em cooperativas, associações e grupos produtivos populares é apontada como estratégia de geração de renda, inclusão socioprodutiva e fortalecimento de redes locais.
A economia popular e solidária está inserida no projeto estratégico do Consórcio Nordeste de desenvolvimento da região. “Nós compreendemos que a economia popular e solidária dialoga com o Plano de Transformação Ecológica e com o PAS Nordeste, que são duas importantes ações de planejamento estratégico desenvolvidas pelo Consórcio. A integração de políticas públicas a partir de ações da economia popular e solidária visa, sobretudo, garantir a segurança alimentar e nutricional, a geração de trabalho e renda e a dignidade da população nordestina”, afirma o secretário de Equidade e Desenvolvimento Social do Consórcio Nordeste, Túlio Florence, que acompanhou o lançamento do Programa Paul Singer, em Recife.
Festival de Economia Popular e Solidária
Em maio deste ano, o Consórcio Nordeste, em parceria com o Governo da Bahia, realizou o Brasil Nordeste – 1º Festival de Economia Popular e Solidária, que movimentou em cinco dias de evento mais de R$ 3 milhões.
Na ocasião, mais de 40 mil pessoas circularam no Centro de Convenções de Salvador durante o evento que contou com feira, painéis de debates, shows musicais e apresentação de manifestações culturais.
Mais de 500 empreendedores dos noves estados do Nordeste tiveram a oportunidade de comercializar produtos oriundos da economia solidária como alimentos (chocolates, sorvetes, queijos, carnes), bebidas, artesanato, vestimenta e acessórios diversos.
Leia mais sobre o Brasil Nordeste – 1º Festival de Economia Popular e Solidária.
Programa de Formação Paul Singer
O Programa de Formação Paul Singer – Agentes de Economia Popular e Solidária nos estados do Nordeste está divididos em três polos: em Salvador participaram representantes da Bahia, Alagoas e Sergipe; em Recife, agentes de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte; e em Fortaleza, o lançamento contará com a presença de representantes do Ceará, Piauí e Maranhão.
Os Agentes de Economia Popular e Solidária, depois de formados, serão responsáveis por fomentar e mobilizar redes locais de apoio à economia solidária. Além de mapear e registrar iniciativas que atuam com base na autogestão e na cooperação, os agentes também contribuirão para a consolidação do Sistema Nacional de Economia Solidária, instituído pela Lei nº 15.068/2024 e para atualização do Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (CadSol), uma ferramenta que monitora essas iniciativas, possibilitando a participação em compras públicas e acesso a linhas de crédito.
A proposta é articular práticas territoriais com o desenvolvimento de políticas públicas nacionais voltadas para esse setor da economia popular e solidária.
O que é Economia Popular e Solidária
A Economia Popular e Solidária é um modelo baseado na organização coletiva da produção, distribuição e consumo, com ênfase na autogestão, no trabalho associado e na solidariedade entre os participantes. Ao contrário da lógica de mercado convencional, esse modelo busca responder às necessidades das comunidades por meio da cooperação, respeitando os contextos culturais, sociais e ambientais dos territórios. Com o reconhecimento legal do Sistema Nacional de Economia Solidária, o setor ganha novo fôlego institucional, com expectativa de maior investimento público e articulação federativa.